Fortaleza tem 2ª maior alta da gasolina no NE
14.02.2013
O peso do aumento da gasolina no bolso do consumidor da Capital já vem sendo sentido há duas semanas. Apesar da tentativa do governo federal de minimizá-lo, esse impacto tem expressiva influência no cotidiano financeiro da população, afetando não só motoristas, mas também toda a cadeia econômica no longo prazo. Nesse contexto "salgado", o fortalezense, no comparativo com os moradores das demais capitais do Nordeste, tem encarado um aumento acentuado: o segundo maior da região.
Os dados mais recentes do levantamento de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram, de forma oficial, o comportamento dos valores da gasolina após o reajuste de 6,6% anunciado nas refinarias, o que já vinha sendo acompanhado por pesquisas diretas do Diário do Nordeste.
Avanço ´salgado´
Segundo a Agência, na semana compreendida entre 27 de janeiro e 2 de fevereiro, o preço médio do combustível nos 73 postos analisados na Capital era de R$ 2,66, o qual passou, na semana seguinte, para R$ 2,82, um acréscimo de 6% (ou R$ 0,16). A variação percentual foi a segunda mais forte do Nordeste, abaixo apenas de Aracaju, em que os postos subiram o litro da gasolina em 6,9%.
Em relação a outras cidades, como João Pessoa e São Luís, a escalada da gasolina em Fortaleza se evidencia. Nessas duas capitais, para se ter uma ideia, os valores do litro cresceram somente pouco mais de 1% (nada além de R$ 0,04).
Enquanto isso, as trajetórias de Maceió e Salvador aproximaram-se do encarecimento cearense, com altas de 5,4% e 5,3%, respectivamente.
Preço máximo
De acordo com o levantamento da ANP, o valor máximo achado em Fortaleza é de R$ 2,89, e o mínimo é de R$ 2,61, pelo menos na semana terminada no último dia 9 de fevereiro.
Mesmo com os valores indigestos, a gasolina comercializada na Capital ainda supera o etanol na competitividade.
O biocombustível custa, em média, R$ 2,28 na cidade, o que equivale a 80% do que se paga pela gasolina. Para ser aconselhável, o etanol precisa valer 70% ou menos do preço do combustível concorrente.
Acima de R$ 3
No Interior do Estado, a gasolina, que, normalmente, é mais cara, já ultrapassou os R$ 3,00 em alguns municípios. Segundo aponta a ANP, o maior preço médio verificado foi em Crateús: R$ 3,12. No município, mostra o levantamento, em um dos sete postos pesquisados, o litro do combustível é vendido por até R$ 3,15, mesmo valor encontrado da cidade de Ipu. A reportagem entrou em contato com o Sindipostos-CE, mas não obteve sucesso nas ligações.
O preço da gasolina no País subiu, em média, 3,97% depois do reajuste de 6% nas refinarias, anunciado pelo governo no dia 30 de janeiro. No Ceará, a elevação ficou acima da nacional e foi ainda a terceira mais acentuada entre os estados. O preço médio, no Estado, passou de R$ 2,71, na semana terminada em 2 de fevereiro, para R$ 2,86, em 9 de março - uma variação de 5,75%. O percentual está abaixo somente dos verificados em Sergipe (6,44%) e Amapá (7,18%).
Pernambuco (5,13%), Bahia (5,06%) e Alagoas (5,05%) também tiveram aumentos significativos. As menores variações foram vistas em Mato Grosso (1,77%), Maranhão (2,19%) e Minas Gerais (2,83%). No País, o valor médio passou de R$ 2,77 para R$ 2,88 na última semana.
Valor médio
2,82 reais é o valor médio da gasolina em Fortaleza verificado pela ANP na semana passada. Máximo apontado foi de R$ 2,89
Importação do produto em 2012 foi recorde
Rio. A gasolina foi a grande vilã da balança comercial de petróleo e derivados em 2012, segundo dados divulgados pela ANP. Apesar de o gasto maior continuar sendo com o óleo diesel, em 2013, o País teve uma despesa recorde com a aquisição de gasolina. Foram gastos US$ 3 bilhões para comprar 3,8 bilhões de litros do combustível no exterior, o maior volume da série histórica da agência, iniciada em 2000. Os gastos foram 82% superiores aos de 2011.
Diante da incapacidade de produzir mais derivados no curto e médio prazos, o Brasil vê distanciar-se ano a ano o sonho da autossuficiência em petróleo e derivados. O então presidente Luis Inácio Lula da Silva, com a descoberta do pré-sal, chegou a comemorar um futuro próximo em que o Brasil participaria do seleto grupo dos grandes exportadores mundiais.
As projeções desmoronaram à medida que os planos de aumento da produção de petróleo não se concretizaram e as refinarias planejadas nãos saíram do papel, salientou o especialista em petróleo da consultoria Tendências, Walter De Vitto.
VICTOR XIMENESREPÓRTER
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