inquérito conclui
Amarildo levou choques elétricos
03.10.2013
Rio de Janeiro. Amarildo de Souza foi submetido a choques elétricos e asfixiado com saco plástico. Segundo investigação da Divisão de Homícidios, que levou ao indiciamento de dez policiais militares pela morte do ajudante de pedreiro, Amarildo era epilético e não resistiu à sessão de tortura que ocorreu em um dos contêineres da UPP.
Ainda segundo o inquérito, o major Edson Santos e seus comandados pretendiam arrancar dele informações sobre a localização de armas e traficantes da parte baixa da favela, onde ele vivia com a família. Pelo menos, outros três moradores da comunidade denunciaram que foram torturados dentro da mesma unidade por policiais.
Dez policiais militares, da UPP da Rocinha, entre eles o major Edson dos Santos, foram indiciados pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Oficial formado pelo Bope, Santos era o comandante da unidade quando ocorreu o sumiço, em 14 de julho. E foi ele quem disse à família de Amarildo que o pedreiro teria deixado a sede da UPP, pouco depois de ter a identidade checada.
A partir do sumiço de Amarildo, foram instaurados quatro inquéritos na Polícia Civil.
Enquanto a Divisão de Homicídios conclui a investigação sobre a morte, a 15ª DP (Gávea) apura outros casos de tortura durante a apuração da Operação "Paz Armada", e a Corregedoria de Polícia Civil investiga desvio de conduta durante os primeiros dias de investigações sobre o sumiço do pedreiro.
A corregedoria da PM também apura paralelamente, inclusive, o desvio de recursos da UPP, que veio à tona em depoimentos colhidos na DH. A parte relacionada ao crime de apropriação indébita vai ficar com a PM. O promotor do Ministério Público do Rio (MPRJ) Homero Freitas recebeu o inquérito da Divisão de Homicídios na noite da última terça-feira. Ele deve oferecer a denúncia à Justiça nos próximos dias.
Os policiais negam envolvimento no sumiço e dizem que liberaram Amarildo, no dia 14 de julho, depois de constatar que não havia qualquer mandado de prisão contra ele.
Para a sobrinha de Amarildo, Michelle Lacerda, que participou ativamente de campanhas para denunciar o desaparecimento do pedreiro, o caso servirá para que a Polícia aprenda a respeitar os direitos dos moradores que vivem em comunidades pobres da cidade.
De acordo com o promotor Homero Freitas, depoimentos e provas técnicas comprovam a participação dos policiais no desaparecimento de Amarildo no dia 14 de julho. "O Amarildo não desceu a escada por onde os policiais dizem que ele passou", afirma o promotor.
Segundo ele, três câmeras estavam instaladas próximo à sede da UPP. Duas estavam sem gravar, mas uma funcionava normalmente e não registrou a passagem do pedreiro, ao contrário do que disseram os policiais.
Amadurecimento
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) afirmou ontem que o indiciamento de dez policiais no caso Amarildo "indica amadurecimento das instituições". Segundo a ministra, se os PMs forem condenados, vão reforçar a necessidade de um debate sobre uma reforma nas polícias que assegure um atendimento mais cidadão.
Fonte: DN
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