Diante do desafio de reduzir os índices da criminalidade no Ceará, o novo secretário busca parceria da sociedadeFaça
uma pesquisa rápida somente com membros da sua família e amigos mais
próximos e confirmará que a sensação de insegurança é grande no Estado
com relatos diversos de crimes.
Homicídios, roubos com restrição de
liberdade (sequestros relâmpagos) e ataques a banco, são algumas das
principais preocupações dos cearenses, e a redução dessas práticas
criminosas surgem como desafios para o novo secretário da Segurança
Pública e Defesa Social (SSPDS), delegado federal Servilho Paiva.
O
delegado federal Servilho Paiva assumiu o comando da Segurança Pública
do Ceará com o desafio de reduzir o tráfico de drogas e os homicídios
FOTO: LUCAS DE MENEZES
MelhorarO
novo titular da SSPDS reconheceu que Fortaleza não é uma das cidades
mais seguras do Brasil, mas disse também que a Capital cearense não é
uma das mais inseguras. "Precisamos melhorar? Indiscutivelmente. Essa é a
nossa função e a nossa missão. Tentar melhorar ao máximo, nesse curto
espaço, ou pelo menos deixar algumas pedras nessa construção posta, para
aquele que nos sucederá tenha uma situação melhor, especialmente na
gestão dessa máquina".
Paiva disse que mudará não somente o Ronda
do Quarteirão, que ele considerou como "uma fração da Polícia Militar",
mas determinará uma reformulação na gestão da Segurança Pública do
Estado, com uma atuação conjunta entre as Polícias Civil e Militar, com o
apoio irrestrito do Setor de Inteligência do órgão. Além disso, afirmou
estar disposto a atuar em parceria com a Imprensa, Poder Judiciário,
setor empresarial e a sociedade civil para trazer mais segurança para o
Estado.
Outras medidas também devem ser tomadas para tentar conter os altos índices de criminalidade do Ceará nos últimos anos.
Servilho
Paiva que está definindo quais as principais áreas e quem serão os
policiais civis e militares que farão parte de uma força-tarefa para
atuar no combate a criminalidade em todo o Estado. A medida prevê ainda a
definição de uma eventual premiação para os policiais que atingirem as
metas de redução de crimes que serão estipuladas pela pasta.
PresosPaiva
esclareceu que com a consolidação do sistema de metas de redução dos
crimes, poderá se transformar numa premiação ou em uma retirada
(exoneração) para aqueles que não estiverem agindo de maneira integrada e
não tenham atingido os objetivos estipulados.
"De outra forma,
isso traz uma via de mão dupla. A administração tem que suprir aqueles
atores com os meios necessários que eles precisam para realizar a tarefa
deles", garantiu.
A presença de presos recolhidos em carceragem
das delegacias do Estado também é um problema a ser enfrentado, pois o
já reduzido efetivo da Polícia Civil atua como carcereiro, deixando de
lado a sua atribuição de investigação dos crimes. Paiva disse já ter
conversado com a secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, sobre o
problema.
"A compreensão é de quem prende não deve cuidar. Essa é
a separação básica. Na medida que você já tem um efetivo reduzido da
Policia Civil, extrair alguns desses atores para cuidar da carceragem
você, de certa forma, traz um prejuízo para o trabalho da Instituição. A
Mariana (Lobo) disse que até o fim do ano deve inaugurar outra unidade,
que deve representar uma limpeza, uma redução, se não a zero, mas a
quase zero dos preso nas delegacias. Pretendemos manter nas delegacias
efetivamente só aquelas figuras durante o flagrante ou em uma
investigação mais especifica. É uma pauta presente, urgente que a gente
tem que solucionar porque isso traz resultado. O sistema prisional é
muito importante, representa muito para esse resultado na segurança
pública", destacou.
No Interior do Estado o foco inicial da
SSPDS, segundo Paiva, será nas áreas que tenham maior incidência de
crime, como as cidades-polo, que segundo ele, agregam muito comércio e
muita gente. "São nessas comunidades que deveremos focar de imediato",
disse.
QuadroNo entanto, a SSPDS
enfrenta um problema de déficit de efetivo. "A questão do efetivo
depende do estudo. Você não pode dizer que você está colocando mil e
eles vão para a ponta no dia que se formarem. As vezes você está
formando mil, mas 500 estão se aposentando. Isso é permanente. Você vai
atualizando esse quadro. Vai ajustando, melhor distribuindo, você nunca
vai ter uma situação ideal, mas tem que usar melhor, com foco e
distribui naquilo que é mais urgente para a população".
Denarc e DHPP irão trabalhar em conjunto
Quanto
a redução dos homicídios, o titular da SSPDS afirmou que o tráfico de
drogas representa, algo em torno de 70 a 80 por cento de vinculação, com
os homicídios. "Então ao eleger potencializar a (Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa) DHPP e a (Delegacia de Narcóticos) Denarc com um
trabalho integrado com a PM, a gente está colocando foco exatamente
nesse problema, homicídio/tráfico, reconhecendo essa interligação que
gera todo esse resultado negativo", disse.
Questionado sobre a
participação de policiais envolvidos em ações criminosas, o secretário
admitiu que existem agentes da segurança envolvidos em práticas
criminosas como homicídios e assaltos, mas afirmou que a grande
estrutura da Controladoria Geral de Disciplina (CGD), "inédita no país é
um dos nosso grandes parceiros, como é a academia para formação e
requalificação do efetivo", disse.
ColetivaPaiva
disse ainda que não teme uma rejeição dos seus comandados pelo fato de
ele ter sido corregedor. "Eu estou buscando trabalhar ao máximo,
trabalhar objetivamente com foco no interesse da Segurança Pública,
dizendo a todos que essa é uma construção coletiva, que depende de
todos, de vocês da imprensa para melhor informar, do empresário para
somar e trazer agilidade em algumas coisas. Não pode haver na construção
da Segurança, nenhum tipo de conotação partidária, de gênero ou
qualquer outra coisa. A gente tem que trabalhar de maneira coletiva
porque a violência atinge a todas as classes, de A a Z".
EMERSON RODRIGUESESPECIAL PARA POLÍCIA