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sexta-feira, 5 de abril de 2013


Para Seul

Míssil não é capaz de atingir os EUA

05.04.2013

Não se acredita que a Coreia do Norte tenha tecnologia especializada para miniaturizar bombas nucleares
Seul. Após uma escalada de ameaças, a Coreia do Norte deslocou mísseis com "alcance considerável" para sua costa leste, informou o ministro da Defesa sul-coreano, Kim Kwan-jin, ontem. O ministro acrescentou, porém, que não há sinais de que Pyongyang esteja se preparando para um amplo conflito em larga escala e enfatizou que o míssil não será capaz de atingir os Estados Unidos.

A Coreia do Norte subiu o tom contra os exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul que começaram em março e terminam no final deste mês. Os aliados insistem que os exercícios são rotina na Coreia do Sul, mas o Norte alega que eles são ensaios para uma invasão e diz que precisa de armas nucleares para se defender.

A Coreia do Norte subiu o tom contra os exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul que começaram em março. FOTO: REUTERS

A Coreia do Norte também demonstrou descontentamento com as sanções impostas pelos EUA ao seu teste nuclear realizado em fevereiro. Analistas continuam a afirmar que as advertências de animosidade feitas nas últimas semanas são provavelmente esforços para provocar políticas mais flexíveis por parte da Coreia do Sul, para sair vitoriosa nas discussões diplomáticas com Washington e solidificar a imagem do jovem líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Muitas das ameaças ocorrem no meio da noite na Ásia, quando nos EUA é dia.

A informação sobre a transferência do míssil foi divulgada horas depois de o Exército norte-coreano ter advertido que recebeu autorização para atacar os EUA usando armas nucleares "menores, mais leves e diversificadas".

A referência a armas menores pode ser uma indicação de que a Coreia do Norte melhorou sua tecnologia nuclear, mas também pode ser um blefe.

Não se acredita que a Coreia do Norte tenha tecnologia especializada necessária para miniaturizar bombas nucleares o suficiente para serem usadas em mísseis de longo alcance, e nem mesmo demonstrou que esses mísseis, se o país os possuir mesmo, são precisos. O país também pode levar anos antes de completar o laborioso processo de criar combustível nuclear suficiente para dar suporte às suas ameaças nucleares.


Governo ameaça retirar servidores
Veículos passam pela fronteira. Sul-coreanos tiveram o acesso impedido ao Norte FOTO: REUTERS

Seul. A Coreia do Norte ameaçou ontem retirar os 53.000 funcionários do polo industrial coreano de Kaesong, situado em seu território, depois de ter proibido o acesso dos funcionários sul-coreanos. "Se as marionetes sul-coreanas e os meios conservadores continuarem nos denegrindo, ordenaremos a todos os nossos funcionários que se retirem de Kaesong", afirmou o Comitê do Norte para a Reunificação Pacífica da Coreia, uma agência governamental responsável pela propaganda.

Segundo uma fonte do comitê, citada pela agência oficial norte-coreana KCNA, esta é uma medida de represália após a advertência de Seul de que tem preparado um plano de urgência que prevê uma opção militar para proteger os trabalhadores sul-coreanos de Kaesong.

"O fechamento completo do complexo pode virar realidade", disse. Depois da escalada militar, Pyongyang optou esta semana por centrar-se em Kaesong na disputa com Coreia do Sul e Estados Unidos, apesar das consequências que um fechamento teria para seus trabalhadores em um país com a economia frágil, arruinado pelo isolamento e a militarização.

A Coreia do Norte bloqueou pelo segundo dia consecutivo o acesso dos sul-coreanos a Kaesong. A Coreia do Norte havia dado prazo de uma semana para a saída dos servidores sul-coreanos de Kaesong, mas Seul negou a informação.


País promete usar ´meios nucleares modernos´
Seul A Coreia do Norte, que ameaçou ontem os Estados Unidos com ataques utilizando "meios nucleares modernos, leves e diversos", conta com 1,2 milhão de militares em serviço ativo e com entre 5 e 7,7 milhões de reservistas.

Números do relatório anual de 2011 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres, mostram que os gastos militares anuais do Norte eram estimados em 2008 em 8,2 bilhões de dólares (último número disponível), o que representa entre 22% e 24% do PIB.

No Sul, Seul designou 30,8 bilhões de dólares em 2012 as suas Forças Armadas, 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB). A Coreia do Sul está protegida pelo "guarda-chuva nuclear" americano, enquanto a Coreia do Norte, que fez em fevereiro seu terceiro teste nuclear, afirma que dispõe de arsenal atômico.

O alcance dos mísseis norte-coreanos, assim como sua capacidade de serem equipados com ogivas nucleares, é fonte de divergências. A maioria dos especialistas pensa que o país ainda não é capaz de montar um dispositivo nuclear em um míssil balístico com possibilidade de alcançar as bases americanas ou quaisquer de seus territórios.

A Coreia do Norte começou a fazer obras em seu reator nuclear de Yongbyon, após anunciar nesta semana que reiniciaria sua atividade, de acordo com imagens de satélite divulgadas na quarta-feira (3) pelo Instituto Estados Unidos-Coreia.

A instituição, vinculada à Universidade Johns Hopkins de Washington, diz em seu site que essas obras de restauração "podem estar destinadas a reiniciar a instalação".

Apelo
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu, em Madri, que o governo da Coreia do Norte "reduza as tensões ante uma situação alarmante", e na qual qualquer erro de julgamento poderá ter consequências muito graves. Ele pediu às autoridades norte-coreanas que comprometam-se com a paz e a segurança.

Fonte: DN

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