Coreia do Norte
EUA não ficariam surpresos com teste nuclear
06.04.2013
Fontes sul-coreanas dizem que a Coreia do Norte carregou mísseis de alcance intermediário
Washington. Os Estados Unidos não ficariam surpresos se a Coreia do Norte realizasse um novo teste de mísseis, disse ontem o porta-voz da Casa Branca Jay Carney. Questionado sobre as indicações de que o país poderia estar preparando o lançamento de um novo teste de mísseis em meio a tensões cada vez maiores na região, Carney afirmou que as autoridades na Casa Branca viram as reportagens.
Fidel
Castro pediu à Coreia do Norte e aos Estados Unidos que evitem o
confronto armado, que segundo ele, poderá afetar 70% da população
mundial FOTO: REUTERS
Movimentos
De acordo com fontes sul-coreanas, a Coreia do Norte carregou em plataformas de lançamento móveis dois mísseis de alcance intermediário e os escondeu em algum ponto no litoral leste do país, o que pode ser o indício de um iminente teste de mísseis de Pyongyang.
"No início desta semana, a Coreia do Norte transferiu de trem dois mísseis Musudan e os colocou em plataformas de lançamento móveis" no litoral do Mar do Leste (Mar do Japão), indicou um alto oficial do Exército sul-coreano à agência Yonhap.
O movimento de Pyongyang, detalhou a fonte, é visto como uma tentativa de lançar mísseis de surpresa, uma vez que não está claro se os projéteis serão utilizados em um teste de disparo ou em manobras militares.
A Coreia do Sul, por sua vez, desdobrou ontem em sua costa no Mar Amarelo (Mar Ocidental) e no Mar do Leste (Mar do Japão) dois navios com sistemas de intercepção de mísseis, diante da possibilidade de a Coreia do Norte preparar um lançamento nos próximos dias.
Situação Grave
O ex-ditador cubano Fidel Castro disse ontem que a tensão na Península Coreana é a mais grave ameaça de uma guerra nuclear desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.
Em um novo artigo publicado no jornal cubano "Granma", Fidel afirmou ainda que a situação é "incrível e absurda", e pediu que sua aliada Coreia do Norte e os Estados Unidos evitem o confronto armado.
Fidel liderava a ilha durante o episódio da Guerra Fria, quando os EUA e a União Soviética quase entraram em confronto por conta da instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba. "Se uma guerra explodir ali, os povos das duas Coreias serão terrivelmente sacrificados", diz.
Segundo ele, agora que os norte-coreanos demonstraram seus avanços técnicos e científicos, devem ser "lembrados de seus deveres com os países que foram seus grandes amigos, e não seria justo esquecer que tal guerra afetaria mais de 70% da população do planeta". Fidel também fez um apelo ao presidente Obama, para que cumpra "o dever de evitar" o risco de uma guerra.
Brasil avalia saída de embaixador
O embaixador brasileiro Roberto Colin e um funcionário permaneciam na embaixada até ontem FOTO: DIVULGAÇÃO
Brasília. O Itamaraty acompanha "com preocupação" a situação da Embaixada do Brasil na Coreia do Norte, disse o ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota. "Nós seguimos com preocupação e estamos em permanente contato com o embaixador. Estamos em contato também com outras embaixadas. Avaliaremos antes de tomar uma decisão sobre a permanência dele", afirmou Patriota.
Em meio ao crescimento da tensão militar entre Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos, a embaixada brasileira recebeu ontem a comunicação do governo norte-coreano instruindo as representações diplomáticas a informarem sobre a necessidade de apoio logístico para a saída de seus funcionários do país. O Ministério das Relações Exteriores se manifestou afirmando que o assunto estava sob análise. A embaixada foi aberta em 2009 e nela estão o embaixador, Roberto Colin, e um funcionário.
Abrigo
O Itamaraty informou que pretende manter, por enquanto, a embaixada em funcionamento. O prédio possui um abrigo subterrâneo e gerador próprio.
Em situação de emergência, a embaixada brasileira pode passar a desempenhar as atividades em Dandong, na China, que fica a quatro horas (por terra) do território norte-coreano.
No último dia 31, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual faz parte o Brasil, emitiu nota expressando preocupação com a possibilidade de guerra. No texto, os governos defenderam a preservação da paz e da segurança, apelando pelo diálogo como meio adequado para pôr fim às diferenças.
A embaixada foi aberta em 2009. As relações comerciais entre o Brasil e a Coreia do Norte são consideradas modestas pelas autoridades brasileiras.
Mas há informações de que existem empresários brasileiros interessados em estabelecer relações econômicas e comerciais com o país. Em 2008, o intercâmbio comercial chegou a US$ 375 milhões.
Kim Jong-un é um líder enigmático
Jong é fã dos parques de atrações e dos personagens da Disney, algo surpreendente FOTO: REUTERS
Paris. O jovem líder da Coreia do Norte Kim Jong-un provoca incompreensão e temor assim como o pai dele. Embora em algumas ocasiões seu comportamento seja alvo de piadas, o certo é que está a um passo de provocar um conflito na península coreana. Quinze meses após a morte do pai, Kim Jong-il, ele invadiu as capas dos jornais agitando a ameaça de uma guerra nuclear com a Coreia do Sul e os EUA. "Quebrar a coluna dos inimigos dementes, cortar o pescoço e assim mostrar claramente o que é uma verdadeira guerra", disse.
Embora pareça se sentir mais confortável em público que o pai dele, nem por isso deixa de ser enigmático. Seu ano de nascimento é um mistério. Sua esposa é jovem e atraente, mas não se sabe se o casal tem filhos.
É fã dos parques de atrações e dos personagens da Disney, ao mesmo tempo em que é comandante das quintas forças armadas do mundo e chefe de um país com bomba atômica. Para analistas, ele tenta suplantar a falta de experiência se movendo rápido e de forma mais agressiva para garantir o controle às elites.
ONU alarmada com crise norte-coreana
Nova York. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, está profundamente alarmado com as tensões crescentes na península coreana, embora os trabalhadores humanitários da ONU continuem ativos em toda a Coreia do Norte por enquanto, disse um porta-voz ontem. "Os funcionários da ONU na Coreia do Norte continuam engajados em seu trabalho humanitário e de desenvolvimento em todo o país", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, em uma conferência transmitida em Nova York.
"O secretário-geral continua profundamente preocupado com a escalada das tensões na península coreana". Nesirky disse que autoridades da ONU estavam presentes em reunião em Pyongyang, com outros diplomatas estrangeiros, na qual autoridades norte-coreanas pediram às embaixadas que considerem tirar seus funcionários e advertiram que não podiam garantir a segurança após o dia 10.
"A ONU está estudando a mensagem e vai responder da forma apropriada", disse. A mensagem foi passada na esteira das declarações do governo comunista de que o conflito é inevitável por causa do que descreve como exercícios "hostis" de tropas norte-americanas com a Coreia do Sul.
fonte: DN
Washington. Os Estados Unidos não ficariam surpresos se a Coreia do Norte realizasse um novo teste de mísseis, disse ontem o porta-voz da Casa Branca Jay Carney. Questionado sobre as indicações de que o país poderia estar preparando o lançamento de um novo teste de mísseis em meio a tensões cada vez maiores na região, Carney afirmou que as autoridades na Casa Branca viram as reportagens.
Movimentos
De acordo com fontes sul-coreanas, a Coreia do Norte carregou em plataformas de lançamento móveis dois mísseis de alcance intermediário e os escondeu em algum ponto no litoral leste do país, o que pode ser o indício de um iminente teste de mísseis de Pyongyang.
"No início desta semana, a Coreia do Norte transferiu de trem dois mísseis Musudan e os colocou em plataformas de lançamento móveis" no litoral do Mar do Leste (Mar do Japão), indicou um alto oficial do Exército sul-coreano à agência Yonhap.
O movimento de Pyongyang, detalhou a fonte, é visto como uma tentativa de lançar mísseis de surpresa, uma vez que não está claro se os projéteis serão utilizados em um teste de disparo ou em manobras militares.
A Coreia do Sul, por sua vez, desdobrou ontem em sua costa no Mar Amarelo (Mar Ocidental) e no Mar do Leste (Mar do Japão) dois navios com sistemas de intercepção de mísseis, diante da possibilidade de a Coreia do Norte preparar um lançamento nos próximos dias.
Situação Grave
O ex-ditador cubano Fidel Castro disse ontem que a tensão na Península Coreana é a mais grave ameaça de uma guerra nuclear desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.
Em um novo artigo publicado no jornal cubano "Granma", Fidel afirmou ainda que a situação é "incrível e absurda", e pediu que sua aliada Coreia do Norte e os Estados Unidos evitem o confronto armado.
Fidel liderava a ilha durante o episódio da Guerra Fria, quando os EUA e a União Soviética quase entraram em confronto por conta da instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba. "Se uma guerra explodir ali, os povos das duas Coreias serão terrivelmente sacrificados", diz.
Segundo ele, agora que os norte-coreanos demonstraram seus avanços técnicos e científicos, devem ser "lembrados de seus deveres com os países que foram seus grandes amigos, e não seria justo esquecer que tal guerra afetaria mais de 70% da população do planeta". Fidel também fez um apelo ao presidente Obama, para que cumpra "o dever de evitar" o risco de uma guerra.
Brasil avalia saída de embaixador
Brasília. O Itamaraty acompanha "com preocupação" a situação da Embaixada do Brasil na Coreia do Norte, disse o ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota. "Nós seguimos com preocupação e estamos em permanente contato com o embaixador. Estamos em contato também com outras embaixadas. Avaliaremos antes de tomar uma decisão sobre a permanência dele", afirmou Patriota.
Em meio ao crescimento da tensão militar entre Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos, a embaixada brasileira recebeu ontem a comunicação do governo norte-coreano instruindo as representações diplomáticas a informarem sobre a necessidade de apoio logístico para a saída de seus funcionários do país. O Ministério das Relações Exteriores se manifestou afirmando que o assunto estava sob análise. A embaixada foi aberta em 2009 e nela estão o embaixador, Roberto Colin, e um funcionário.
Abrigo
O Itamaraty informou que pretende manter, por enquanto, a embaixada em funcionamento. O prédio possui um abrigo subterrâneo e gerador próprio.
Em situação de emergência, a embaixada brasileira pode passar a desempenhar as atividades em Dandong, na China, que fica a quatro horas (por terra) do território norte-coreano.
No último dia 31, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual faz parte o Brasil, emitiu nota expressando preocupação com a possibilidade de guerra. No texto, os governos defenderam a preservação da paz e da segurança, apelando pelo diálogo como meio adequado para pôr fim às diferenças.
A embaixada foi aberta em 2009. As relações comerciais entre o Brasil e a Coreia do Norte são consideradas modestas pelas autoridades brasileiras.
Mas há informações de que existem empresários brasileiros interessados em estabelecer relações econômicas e comerciais com o país. Em 2008, o intercâmbio comercial chegou a US$ 375 milhões.
Kim Jong-un é um líder enigmático
Paris. O jovem líder da Coreia do Norte Kim Jong-un provoca incompreensão e temor assim como o pai dele. Embora em algumas ocasiões seu comportamento seja alvo de piadas, o certo é que está a um passo de provocar um conflito na península coreana. Quinze meses após a morte do pai, Kim Jong-il, ele invadiu as capas dos jornais agitando a ameaça de uma guerra nuclear com a Coreia do Sul e os EUA. "Quebrar a coluna dos inimigos dementes, cortar o pescoço e assim mostrar claramente o que é uma verdadeira guerra", disse.
Embora pareça se sentir mais confortável em público que o pai dele, nem por isso deixa de ser enigmático. Seu ano de nascimento é um mistério. Sua esposa é jovem e atraente, mas não se sabe se o casal tem filhos.
É fã dos parques de atrações e dos personagens da Disney, ao mesmo tempo em que é comandante das quintas forças armadas do mundo e chefe de um país com bomba atômica. Para analistas, ele tenta suplantar a falta de experiência se movendo rápido e de forma mais agressiva para garantir o controle às elites.
ONU alarmada com crise norte-coreana
Nova York. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, está profundamente alarmado com as tensões crescentes na península coreana, embora os trabalhadores humanitários da ONU continuem ativos em toda a Coreia do Norte por enquanto, disse um porta-voz ontem. "Os funcionários da ONU na Coreia do Norte continuam engajados em seu trabalho humanitário e de desenvolvimento em todo o país", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, em uma conferência transmitida em Nova York.
"O secretário-geral continua profundamente preocupado com a escalada das tensões na península coreana". Nesirky disse que autoridades da ONU estavam presentes em reunião em Pyongyang, com outros diplomatas estrangeiros, na qual autoridades norte-coreanas pediram às embaixadas que considerem tirar seus funcionários e advertiram que não podiam garantir a segurança após o dia 10.
"A ONU está estudando a mensagem e vai responder da forma apropriada", disse. A mensagem foi passada na esteira das declarações do governo comunista de que o conflito é inevitável por causa do que descreve como exercícios "hostis" de tropas norte-americanas com a Coreia do Sul.
fonte: DN
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